terça-feira, 25 de janeiro de 2011

homem invisível

Mais um dia terminando e ainda me encontro aqui, em uma calçada qualquer, de uma rua qualquer. Milhares de pessoas passaram por mim e se quer perceberam minha presença. Meus olhos agora se enchem de lágrimas ao ver a situação em que me encontro. 
Havia perdido tudo, o emprego, família, teto e principalmente, minha dignidade e a vontade de viver.Tudo aconteceu tão rápido e quando dei por mim estava aqui,vendo minha vida passar sem sentido..Não tenho mais documentos que comprovem que eu exista, não sou computado no senso,não tenho um endereço.Às vezes sinto que realmente não sou ninguém.
Todos os dias fecho meus olhos e lembro de tudo que me aconteceu, os dias que passei frio, fome, que aguentei os olhares de canto, que senti medo.Já não reconheço meu rosto, agora com tantas marcas de uma vida castigada, doída e humilhante.
Aprendi a ser assim, um miserável.Lutando pela sobrevivência, lutando por ter mais um dia de vida. Me sinto como se não tivesse uma função na sociedade, como se minha única função fosse mostrar o resultado de um sistema desigual e opressor, que favorece uns, enquanto para outros nada sobra, só as migalhas, um pedaço de pão duro,algumas moedas, o medo de morrer de fome e os dedos congelados de frio.Já não tenho mais vida, são apenas alguns sentidos funcionando sobre meu corpo.
Pra mim não existe mais feriado ou férias.Todos os meus dias são iguais, os meses não se diferem.Não tenho mais pra onde ir e isso já nem me importa mais.Minhas maiores alegrias não são iguais as das outras pessoas,elas estão em uma dose de cachaça ,que me faz fugir dessa realidade cruel e na companhia de um cão, que por sinal , a companhia mais sincera que eu poderia ter. 
Às vezes sinto que faço parte de uma paisagem urbana que as pessoas não fazem questão de olhar e sem saberem da minha história, da minha vida, me chamam de bêbado, vagabundo, desocupado. Reclamam da minhas roupas, do meu cheiro, da minha presença.Julgam meus méritos, meus porquês, minhas decisões ou falta delas.Mas quem tem o direito de julgar alguém? 
Para fazer isso teriam que saber ler as entrelinhas da minha vida, algo raro para a maioria das pessoas Ás vezes me confomo com a idéia que não consigo viver em um mundo com tantas regras e convenções, mas lá no fundo ainda espero um milagre. Um milagre no sentido de encontrar forças para sair dessa situação,pra mudar, pra ser digno de um olhar sincero, digno de carinho.Espero encontrar forças pra realizar os sonhos que ainda me restaram, os que não se perderam nesse caminho tortuoso.Sou considerado livre, mas no fundo me sinto escravo de mim mesmo, das minhas amarguras, do meu passado, das minhas angústias e aflições. Espero voltar a sorrir, espero voltar a viver. 
Aos poucos, começo a perceber a diferença entre a minha situação e a das outras pessoas. No meu caso,minhas mazelas são totalmente expostas diariamente à praça pública, todos as conhecem, todos as julgam, diferente das outras pessoas, que escondem seus piores defeitos com classe, por meio de sorrisos falsos e uma bela capa.Sou isso que vêem diarimente, em qualquer canto do mundo, em qualquer esquina ou num boteco sujo. Sou que você não quer ver, sou apenas mais um homem invisível.


Foto: Ariane Côrtes

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

a vida como uma montanha

Lá estava eu, vivendo como todos ao meu redor viviam, fazendo o que esperassem que eu fizesse e pensando as mesmas coisas que milhares de outras pessoas estavam pensando. Sabia que não queria mais aquilo, sabia que de alguma forma havia algo além da minha percepção. Então eis que vi uma montanha. Algo nela me encantava, me dava vontade de subir, de explorar, de conhecer. Muitos me questionaram, dizendo que não tinha motivos de eu me arriscar, tudo que precisava pra viver tinha lá em baixo. Mas por algum motivo, que nem eu mesma sei, aquela montanha me encantava, precisava subir, precisava saber o que tinha lá em cima.E comecei a subir. Alguns me acompanharam pois também queriam buscar algo novo.E assim fomos, sem medo do que viria pela frente. No começo estava fácil,sem muitos problemas, tínhamos água, comida e energia suficientes pra caminhar durante dias. Era prazeroso e aos poucos íamos conhecendo novos lugares,novas paisagens.Mas com o passar do tempo a subida foi ficando mais complicada. O caminho muitas vezes ficava dificil de passar, com alguns espinhos, alguns penhascos e aos poucos fui percebendo que muitos desistiram, preferindo assim a vida que tinham antes. Muitos pensamentos vinham na minha mente naquele momento,pensava também em desistir, talvez fosse mais fácil viver lá embaixo,sem tantas complicações, sem me arriscar tanto.Muitas vezes me sentia sozinha e com medo, pensando em como lá era mais seguro, como era mais cômodo Mas ao mesmo tempo, percebia que quanto mais eu subia,melhor era a visão que tinha. Comecei a ver coisas que a maioria das pessoas não se preocupava em ver. Sabia que não ia ser fácil, mas não podia desistir agora, já estava longe demais pra voltar. Então comecei a conhecer novas pessoas no caminho que vinham de outros lugares, mas que tinham o mesmo objetivo e percebi que elas também estavam vendo as mesmas coisas que eu. De alguma forma me senti confortada com isso.Continuei subindo, às vezes me sentia consada , precisava parar pra descansar e pensar em tudo que estava acontecendo, de como minha forma de pensar estava mudando aos poucos. Percebi que quanto mais ia subindo, mais pessoas iam desistindo.À noite, quando ia dormir, olhava para baixo e lembrava com carinho dos momentos felizes que lá tinha vivido, mas ao mesmo tempo percebia que não conseguiria voltar atrás ,pois tinha começado a ver as coisas de uma outra maneira.Precisava buscar novas visões,novos caminhos, novas percepções. Me sentia mais tranquila, não tinha mais pressa em chegar no alto da montanha, fui subindo, aprendendo com cada obstáculo, com cada situação. E quando cheguei no alto, vi que o esforço valeu a pena. Pude enxergar melhor a paisagem, olhar tudo ao meu redor, cada detalhe que nunca pensei que tivesse. Pude ver as coisas como elas realmente são e ver, inclusive, que aquela não era a única montanha que existia. Ao final do dia, vendo toda aquela paisagem com satisfação,consegui perceber o que queria daquele momento em diante. Queria viver a vida assim, procurando novas montanhas pra subir!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Roda viva

Mais um ano começando, e com ele novos sonhos, desejos e promessas. Geralmente o que mais esperamos para o ano que está chegando são mudanças e criamos enormes expectativas sobre elas. É incrível como muda-se tudo e a todo tempo.
Mudam-se as estações do ano, os planos, o emprego, os amigos, o endereço. Mudam-se os minutos, as horas, os anos. Mudam-se as vontades, a realidade, os desejos e os sonhos. Mas às vezes essas mudanças nos assustam, nos dão medo. Medo do novo, de voltar atrás, de arriscar, pois mudar exige esforços, tira tudo do lugar e muitas vezes incomoda, dói. Mudar exige uma perda temporária de segurança, como se precisássemos de uma garantia que tudo vai dar certo, que não vamos sair perdendo. Muitas vezes inventamos desculpas para nos convencermos de que não há nada errado, como se algo nos falasse “ nem está tão ruim assim” ,”vai passar ”. Mudar é acreditar nos nossos sonhos, exige coragem. É ouvir nossa consciência e seguir conforme nossa essência, jogando fora o velho, o que não nos serve mais e trocando por algo, em muitos casos, que vai nos fazer melhor. E digo jogar fora mesmo e não colocá-lo naquele quartinho da casa que ninguém usa mais. Mudar é dar uma chance a você mesmo e tirar as amarras que por algum motivo te impedem de viver, seguindo assim sua intuição e seus verdadeiros desejos e principalmente, é aceitar o CRESCIMENTO, aprendendo com cada circunstância, com cada situação. Renunciando algumas coisas em funções de outras, alçando novos vôos, novas percepções e idéias. Percebemos que os sentimentos, as pessoas, a condição financeira, os relacionamentos, nada disso é pra sempre e a estabilidade que buscamos muitas vezes não é a melhor opção. Nunca haverá relacionamentos sem problemas, família sem brigas e uma vida sem conflitos. Portanto não queira tudo perfeito, o imperfeito nos faz crescer, nos tira do comodismo. Com isso podemos conviver melhor com as decepções e frustrações e saber lidar com elas, tirando o melhor de cada situação.


MUDE de atitude, de lugar, de corte de cabelo. Mude de idéia, de opinião. Aprenda a falar SIM,mas saiba a hora de dizer NÃO. Mude seu conceito, sua cidade, a cor do esmalte. Mude os móveis de lugar, mude seu jeito de pensar.

mude, que quando a gente muda o mundo muda com a gente, a gente muda o mundo na mudança da mente”